lunes, 1 de septiembre de 2008

Mestre Salustiano! Saudades!!!

Neste blog escrevo sempre em Portoñol, mas de quem vou falar hoje tenho que escrever em Português o melhor seria escrever mesmo em “Pernambuguês”. Mestre Salustiano o pulsar da cultura popular brasileira!
É amigos os últimos invernos ou verão (dependendo do continente que se encontra) tem sido de perdas de amigos e mestres e isso traz na gente um sentimento de desamparo e uma tristeza tão profunda que nos sentimos quase solitários em nossa dor. Ontem um pouco antes de ir para o ensaio de luz no teatro popular de Niterói ( que alias não teve, mas isso é outro capitulo para este blog) ouvi por a TV da morte de Mestre Salustiano. Dei um grito agudo com a TV que seguiu dando outras informações. Sai de casa arrasada e lembrando ,lógico, de Salu e minha história com ele.
Sabe uma pessoa que é capaz de mudar a nossa vida, sabe? Pois mestre Salu mudou a minha completamente e mudou na hora e no momento certo. Conheci Salu em 96 quando fui para Pernambuco entrevistar mamulengueiros para minha monografia e de passo curar as dores do fim do meu primeiro casamento.Cheguei a Olinda sem nunca ter pisado ali com o olhar e a coragem de quem é dali, subi as ladeiras sem guia e sem direção, mas parei no lugar certo, na porta do museu do mamulengo ( meu Oásis), entrei e pedia a diretora, Izolda Pedrosa, do museu uma lista dos mamulengueiros pernambucanos. Recebi o listado e fui ao mais próximo que morava em Cidade Tabajara, bairro de Olinda, era lá que vivia o senhor Manuel Salustiano, mais conhecido como Mestre Salu.
Chegando a Cidade Tabajara me deparei com uma casa cheia de gente, tanta gente de tantos tipos que era difícil crerem que quasi todos eram irmãos. Senão me engano na época Salu tinha 55 anos e doze filhos com cinco mulheres diferentes e o mais curioso quase todos os filhos eram criados por ele. Filosofia do mestre vai à mulher, mas o filho é meu! Neste dia Salu estava de short e camisa de botão quadriculada e mal abotoada dando pra ver seu peitoral quase sem pelo e o volume do marca-passo.

Fui tão bem recebida, como ate hoje sou por aquela família que me encantei. Nesta tarde Salu me mostrou os mamulengos, as roupas, perucas e instrumentos do maracatu, cantou loas e tocou rabeca só voltei para a pousada porque se fez noite, por sinal naquele dia a noite se fez muito rápido.
Salu me convidou a ir com ele e sua família ao festival de inverno de Garanhuns( terra do Lula) e claro que aceitei. Dias depois estava num ônibus com a Família Salustiano indo para o Festival de inverno, como ele tinha tanto filho e de todas as idades e cores não ia ninguém desconfiar que eu não fosse filha, era só manter a boca fechada para não aparecer os “S” do Rio de Janeiro.

Sempre fui um desastre para ritmos e nunca consegui cantar um “Parabéns para você” sem desafinar. E lá estava eu com aquela família com o ritmo no sangue para me apresentar, me deram uma camisa xadrez em tom de vermelho e um reco-reco e me mandaram entrar no palco com eles... Eu FUI!!!!!Estava tão nervosa e feliz que não sabia o que fazer, quando estávamos pra entrar no palco apareceu uma jornalista da qual eu corri, mas jornalista é bicho ruim e me pegou à safada e eu tive de dar “duas palavrinhas” e a desgraçada me perguntou: O Que tu vai tocar? Eu estava tão nervosa que não consegui lembrar o nome do reco-reco e disse: Vou tocar “PITONGA”! E sai correndo dali.
A Apresentação fui ótima e não preciso dizer o quanto fui sacaniada por o “PITONGA” e como rimos e como ainda hoje rio ao lembra desta anedota.
Voltei de Garanhuns totalmente apaixonada por Salu e toda a sua Família. Salu me regalou cinco mamulengos e me pediu em casamento ( os mamulengos aceitei, o pedido não). Dois destes mamulengos fazem parte do meu espetáculo “CONTOS de BRASIL”. Minha viagem que deveria durar 15 dias durou 3 anos!
Com Salu fiz aula de rabeca e acho que por primeira vez quis aprender a tocar um instrumento de verdade. Aprendi com Salu e sua família a sambar o maracatu, o cavalo marinho, o caboclinho, o coco, a ciranda, o forro de pé de serra, a puxar loas a comer queijo cualho, tapioca, canjica, cuscuz, mão de vaca. Aprendia bordar minha roupa de Baiana do Maracatu e fui muito feliz!
No Maracatu tenho muitas histórias, mas vou falar aqui da emoção que senti ao sair de baiana por a primeira vez. Sabe gente me senti plena, livre e muito feliz. Sempre que penso em um dia feliz na minha vida penso naquele dia. Acho que aquele dia foi o dia mais feliz de minha vida ate hoje. Dançar o Maracatu é algo não sei descrever, só sei viver!
Minha paixão por esta família me fez levar minha mãe, irmãos e sobrinho, amigos para conhecê-lo. Mestre Salu se tornou familiar à todos os meus por sua importância em minha vida.
Caramba! Salu não esta mais na sua varanda com a camisa de botão aberta, com a rabeca na mão e com seu deboche dizer meu nome”: “ “Maria Madeira de Niteróiisss”“. Salu, Homem de Deus eu pensava este ano de passar o natal em sua varanda vendo o cavalo marinho. Droga, cheguei tarde!
Quando Sai de Olinda para Rio de Janeiro ia sempre passar o carnaval em Olinda para sambar o Maracatu de Salu ( Piaba de Ouro) Mas como logo depois fui morar em Barcelona, só pude rever Salu e sua família outra vez em 2004 quando viemos nos apresentar no primeiro SESI bonecos do Mundo. Sabe quando o avião foi aterrizando no aeroporto Guararapes eu chorava como uma criança. Jordi não entendia bem o porquê se minha família morava toda no Rio. Mas ele não sabia que meu umbigo foi jogado no mar e parou em Olinda!
Quis muito que Jordi conhecesse Salu, sempre vi ponto comum nos dois. Como chegamos um final de semana antes de começar nosso trabalho pudemos matar as saudades de todos os pernambucanos queridos. Claro que fomos ver Salu e sua família. Confesso que esta receosa de não ser reconhecida, mas só foi estacionar o carro no agora “ sitio do forro” que ouvi já a voz de Manuelzinho ( filho mais velho de Salu) dizer: Uii... Aquela não é Maria Madeira! Foi uma felicidade Só!
Salu já estava na sétima mulher e no décimo quinto filho ( era uma menina). O Sitio tinha virado um espaço para show. Com bar, palco, mesinhas, cadeiras, comidinha boa, cerveja gelada, fora uma loja com coisinha para lembrança, venda de CDs de Salu, venda de peças do Maracatu e instrumentos musicas como as rabecas confeccionadas por Salu. É Salu era também um ótimo empresário!
Quando Salu soube que eu ainda não tinha filhos com Jordi ele se ofereceu ( mais uma vez) para procriar comigo. Salu me pediu varias vezes em casamento, como fazia com todas as mulheres. Eu ria da pretensão do querido mestre.
Foi uma noite muito linda e animada, Salu cantou e improvisou para mim e Jordi, a gente dançava e ele tirava verso divertido e inteligente homenageando a nossa presença em sua casa. Desta vez foi à noite que se acabou rápido.
Deixo aqui as fotos deste último encontro, deixo também as fotos dos mamulengos dados por a mim e usados em meu espetáculo “ Contos de Brasil” e registro aqui meu eterno agradecimento a este mestre da Cultura popular Brasileira. Esta pessoa tão simples, inteligente, doutor em cultura popular, pessoa criativa, carismática. Pessoa que me fez muito feliz e me deu o norte na vida.
Salu o Céu vai fazer três dias de sambada por sua chegada, Mestre querido!
Saudades! Já estou com saudades! E, sabe tenho aquela sensação que cheguei tarde. Queria tanto ter dado um beijo mais recente... mas guardo aquela noite linda e especial como um presente para memória e para minha vida.
Valeu Salu!

3 comentarios:

LIGIA GRANGEIRO dijo...

Maria, que coisa linda suas memórias, suas recordações, sua história. Quero continuar sendo sua amiga, mais do que nunca.
Ligia

Anónimo dijo...

Caro Senhora,
Sou Promotor de Justiça de Nazaré da Mata-PE, e lhe informo que, conforme foi noticiado, no JC de Domingo 15/03 -coluna Social, estamos querendo fazer uma justa homenagem a um grande pernambucano , o Mestre Salustiano, ao 'Batizar" a nova Promotoria de Justiça de Nazaré da Mata com o seu nome. Daí, informo que em face da construção do prédio da 10ª Circunscrição Ministerial localizado em Nazaré da Mata-PE, sugeri ao Procurador Geral do MP, Paulo Varejão, que a mesma seja denominada: 'Doutor Manoel Salustiano Soares', o conhecido Mestre Salustiano ou Mestre Salu (Aliança, 12 de novembro de 1945 — Recife, 31 de agosto de 2008), pois, o mesmo foi o grande responsável pela divulgação do maracatu em Pernambuco e no Brasil, sendo esta a manifestação folclórica mais forte na região da Mata norte deste Estado, exatamente onde está localizada a décima Circunscrição ministerial, além de ter sido um brilhante ator, músico, compositor, artesão.
Vale destacar que o homenageado também foi considerado uma das maiores autoridades da cultura popular pernambucana, inclusive, tendo sido agraciado, em 1982, pela Universidade Federal de Pernambuco, com o título de doutor honoris causa, e, no ano de 2007 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco (Lei nº 12.196 de 2 de maio de 2002).
Destarte, o termo Doutor é para demonstrar que mesmo sendo analfabeto “o mestre Salu” recebeu o reconhecimento da UFPE o declarando doutor em sua atividade, tal como qualquer outro doutor letrado, pois, o mesmo mostrou e ensinou sua arte a humanidade. Aproveito o ensejo para consignar que o homenageado é um dos grandes Heróis pernambucanos, sendo uma honra para o Parquet do Estado do Leão do Norte efetivar essa justa homenagem ao agregá-lo no rol dos heróis que denominam os prédios do MP-PE. Com nossos protestos de consideração e apreço, firmo o presente. PAULO HENRIQUE QUEIROZ FIGUEIREDO Promotor de Justiça

Anónimo dijo...

Caro Senhora,
Sou Promotor de Justiça de Nazaré da Mata-PE, e lhe informo que, conforme foi noticiado, no JC de Domingo 15/03 -coluna Social, estamos querendo fazer uma justa homenagem a um grande pernambucano , o Mestre Salustiano, ao 'Batizar" a nova Promotoria de Justiça de Nazaré da Mata com o seu nome. Daí, informo que em face da construção do prédio da 10ª Circunscrição Ministerial localizado em Nazaré da Mata-PE, sugeri ao Procurador Geral do MP, Paulo Varejão, que a mesma seja denominada: 'Doutor Manoel Salustiano Soares', o conhecido Mestre Salustiano ou Mestre Salu (Aliança, 12 de novembro de 1945 — Recife, 31 de agosto de 2008), pois, o mesmo foi o grande responsável pela divulgação do maracatu em Pernambuco e no Brasil, sendo esta a manifestação folclórica mais forte na região da Mata norte deste Estado, exatamente onde está localizada a décima Circunscrição ministerial, além de ter sido um brilhante ator, músico, compositor, artesão.
Vale destacar que o homenageado também foi considerado uma das maiores autoridades da cultura popular pernambucana, inclusive, tendo sido agraciado, em 1982, pela Universidade Federal de Pernambuco, com o título de doutor honoris causa, e, no ano de 2007 recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco (Lei nº 12.196 de 2 de maio de 2002).
Destarte, o termo Doutor é para demonstrar que mesmo sendo analfabeto “o mestre Salu” recebeu o reconhecimento da UFPE o declarando doutor em sua atividade, tal como qualquer outro doutor letrado, pois, o mesmo mostrou e ensinou sua arte a humanidade. Aproveito o ensejo para consignar que o homenageado é um dos grandes Heróis pernambucanos, sendo uma honra para o Parquet do Estado do Leão do Norte efetivar essa justa homenagem ao agregá-lo no rol dos heróis que denominam os prédios do MP-PE. Com nossos protestos de consideração e apreço, firmo o presente. PAULO HENRIQUE QUEIROZ FIGUEIREDO Promotor de Justiça